Centros de Consciência, sem mistérios.

São frequentes em literaturas do autoconhecimento menções aos centros de consciência humanos, também denominados chakras, vórtices de energia, centros vitais, dentre outros termos. Esse é um tema de compreensão ainda difícil, principalmente pela diversidade de abordagens existentes, que por vezes reúnem complexas informações mas não as sintetizam. O objetivo aqui, portanto, é realizar uma breve síntese sobre os nossos centros de consciência, sem misticismos ou mistérios. Claro que sem pretender abranger todo o assunto, que sequer conhecemos por completo, mas oferecendo uma interpretação objetiva para contribuir com as discussões que envolvem a temática.

Primeiro de tudo, vale ressaltar que já hoje na ciência, diferentemente de antigas abordagens, a consciência tem sido encarada cada vez mais não como limitada ao cérebro ou ao sistema nervoso, mas como relativa a toda a constituição do ser. Uma perspectiva que se aproxima de considerações já milenares sobre os centros de consciência existentes, por exemplo, em antigos registros egípcios, indianos e chineses, segundo os quais tais centros estariam distribuídos ao longo de todo o corpo, mas em dimensões imateriais.

O melhor é nos referir aos centros de consciência como níveis de consciência. Muitas pessoas clarividentes – aquelas com capacidade de ver dimensões não físicas da vida, como a dimensão emocional, espiritual, etc… – referem-se aos centros de consciência como discos energéticos, os sete principais deles distribuídos ao longo da coluna vertebral. Provém daí serem chamados chakras, termo que na língua sânscrita indiana significa “roda”. Conforme tem sido unânime na literatura, tais “rodas” seriam os centros através dos quais a energia da vida preenche e impulsiona o homem. Porém, convém destacar que a existência e força desses centros não são fortuitas, mas dependentes da capacidade de cada indivíduo de pensar e agir a partir de compreensões cada vez mais elevadas da vida. É assim que, apesar de que seja útil aprendermos sobre a configuração dos centros de consciência, o essencial é compreendê-los primeiramente como níveis de consciência, conforme o que segue.

1. O primeiro nível de consciênciaSer – corresponde à condensação da matéria para o surgimento da vida. É como a consciência das rochas, que simplesmente existe. Consciência sem intento aparente, mobilidade ou dinamismo, mas que concebe a base da existência dos seres. Muitos explicam esse nível de consciência comparando-o às raízes das plantas, que as aterram no mundo. Contudo, o vegetal e a formação de suas raízes seguem processos biológicos mais complexos, diferentemente dos minerais. É assim que nos parece mais oportuno a comparação deste primeiro nível de consciência com as rochas, que, apesar de imóveis, conformam o elemento mais firme do mundo.

2. O segundo nível de consciênciaEstar – diz respeito à dinamização primária da energia vital. Este sim pode ser comparado aos vegetais, por resultar da capacidade de flexibilizar-se – atenuar a firmeza da matéria – para crescer e desenvolver-se com velocidade, assim como as plantas. Neste nível, a compreensão da realidade é dual: existe aquilo que sou e toda uma vida com que sou levado a interagir, e que me complementa, sem maiores razões, tal como diversas espécies vegetais já se distinguem entre exemplares masculinos e femininos, mas cuja polinização entre ambos acontece passivamente, sem intuito, como por meio de animais e pelo vento.

3. O terceiro nível de consciênciaQuerer – é como a energia vital animalizada. Neste nível, a compreensão dual da realidade ganha poder de vontade. A interação e mesmo a fecundação entre seres distintos, opostos, complementares, se dá não mais de maneira passiva, como nos vegetais, mas acompanhada de um querer, de um cortejar, um lutar pela conquista do que se deseja. É então que se processa a compreensão do Eu como Unidade, como ser único na imensidão da vida e que descobre a potência e força que lhes são próprias e imanentes.

4. O quarto nível de consciênciaSentir – surge da lapidação do ser pelo exercício de sua vontade. A partir das experiências com que o indivíduo humano se depara no dia-a-dia, ele compreende que, assim como ele é uma unidade, todos os demais indivíduos com que interage – os outros – também são unidades singulares. Esta percepção configura o aprimoramento da noção do Eu, que passa a não só se perceber diferente, único, perante a vida, mas também a perceber seres que lhe são semelhantes. É então neste nível que se passa de um predomínio da atuação de emoções intensas, inconstantes, para emoções mais constantes, refinadas: os sentimentos. Não é à toa que o “amor”, a doação de si pelo outro, em suas diversas formas, é considerado o mais sublime dos sentimentos. É assim que, neste quarto nível, o indivíduo passa a reconhecer que boas relações podem ser empreendidas junto aos demais, aos familiares, aos conhecidos, desconhecidos, aos reinos da natureza….

5. O quinto nível de consciênciaFazer – corresponde à capacidade de criação e criatividade. Conforme os quatro níveis de consciência anteriores estabelecem as bases primárias da existência, fazendo-nos Existir e reconhecer a Vida, o Eu e o Outro, este quinto nível impele para as possibilidades que se pode construir a partir daí. É assim que sociedades e pessoas, após consolidarem as bases materiais e sociais de suas vidas, habilitam-se a explorar dimensões criativas como a arte, o artesanato, a música, a filosofia, a arquitetura, a matemática, a espiritualidade etc.

6. O sexto nível de consciênciaEntender – é aquele em que o indivíduo humano aguça sua capacidade intuitiva. Enquanto o nível anterior pode ser regido por experiências acumuladas, levando cada pessoa a buscar novas maneiras de criar e se expressar, este sexto nível abre a percepção para possibilidades ainda maiores. Por exemplo, mais do que alguém procurar se tornar prestativo e hábil em seu trabalho, atuando a partir do quinto nível, este sexto nível leva a ver mais além, e quem sabe, nesse mesmo exemplo, possibilitar a percepção de oportunidades ainda não exploradas, novas técnicas, novas teorias ou mesmo uma nova carreira de trabalho.

7. Por fim, o sétimo nível de consciênciaPertencer – ocorre quando o indivíduo se sente confortavelmente pertencente ao seu fluxo de vida e criatividade. Conforme as bases e relações de sua existência estejam organizadas, neste sétimo nível a pessoa se sente tranquila e segura para seguir vivendo, criando, empreendendo. Ela sabe que a vida é complexa, mas sabe que sempre encontrará as informações e meios necessários para a melhor maneira de agir em qualquer situação. É quando nos sentimos inteiros no aqui e agora, prontos “para o que der e vier”.

Em resumo, o desenvolvimento da consciência humana através de seus sete principais níveis ou centros ocorre conforme a energia vital ainda inconsciente de cada indivíduo (1 – Ser) compreende sua existência e presença na Vida (2 – Estar), a partir do que desenvolve o entendimento do Eu (3. Querer) e do Outro (4. Sentir). A continuidade desse processo torna as pessoas capazes de criarem novas condições para suas vidas (5. Fazer), sendo cada vez mais conduzidas por compreensões intuitivas e elevadas (6. Entender), até sentirem-se familiarizadas e seguras em seus fluxos de vida e criatividade (7. Pertencer), indo além da matéria e lidando face a face com a vida.

É esta a síntese, que realizamos não sem nenhum temor de estarmos sendo imprecisos ou equivocados, dada a complexidade do tema, mas que pode ser útil para que os leitores façam seus próprios questionamentos e desenvolvam compreensões sempre mais claras e objetivas. Afinal, o propósito não é validar as terminologias e definições aqui utilizadas, mas sim empreender um raciocínio lógico e utilizá-lo como instrumento de reflexão.

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