Milton Nascimento, Face a Face

Milton Nascimento, o homem-artista que cantou e canta face a face o Brasil. “Homem-artista”, porque não se distingue a pessoa do Milton – o Bituca – de sua expressão na arte, assim como sua música não se separa da sua humanidade. “Cantou”, por que em uma turnê na qual celebra 67 anos de carreira, ele se despede dos palcos. Mas “canta”, porque ainda assim continua a compor, a criar, e sua verve, tal qual seus sonhos, não envelhece. “Face a Face”, finalmente, porque sua obra se funda no que o Brasil e os brasileiros têm de mutuamente sagrado e terreno no viver de cada dia. Milton consagra na musica nacional e internacional temas imponentes, mas sem deixar de refletir a singeleza de cada ato e de cada momento das realidades de seu povo e de sua cultura conterrânea.

Neste importante momento da trajetória de Milton Nascimento, este texto vem enaltece-lo e agradece-lo por ser uma aula viva, ser que viveu e vive a sua arte, sem desvirtua-la jamais na essencia ou na autenticidade. Colocado nos anais da fama, não descalçou as sandálias da humildade. Pessoa e persona numa só. Questiona-se, afinal: quantos artistas há, houve ou haverá na história capazes de se retirarem dos holofotes sem, ainda assim, encerrarem suas carreiras ou perderem o prestígio construído junto ao público? A história mesma dá testemunho dele!

Milton construiu a trilha sonora do Brasil nas últimas seis décadas. Destoando de muitos outros artistas, homens e mulheres, que fizeram outras inúmeras e também belas cenas músicas nesse período, sua música não esvanece, não passa, sempre atual. Um convite, pois, para todo homem e toda mulher artistas; não para a ele se assemelhar, mas para nele se inspirar, e fazer brotar o que de essencial, mágico e fenomenal, mas real, existe em cada um.

Uma história, um mito, uma dádiva. Ainda que fora dos palcos, não somente a carreira, mas a presença de Milton Nascimento por si só continuará a ser sempre um show, um espetáculo. Te amamos, Bituca. E fazendo jus às palavras de Maju Coutinho, repetimos: “Obrigado, Milton Nascimento, por você ter sido tudo o que você podia ser”.

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